e-mail
senha
 
 
Temas para discussão
Por que devemos diminuir o consumo de gordura trans?
Autor(a):Fábio Ancona Lopes e Fenanda Ceragioli de Oliveira- depto de Nutrologia Da SBP
Data:15/9/2008

Por que devemos diminuir o consumo de gordura trans?

Com o aumento do consumo de alimentos industrializados ocorrido nas últimas décadas, em função do trabalho da mulher e do ritmo de vida das metrópoles, que impede que as refeições sejam feitas em casa, o consumo de gordura do tipo trans aumentou em todo mundo, ocasionando a possibilidade de danos importantes à saúde, pelas características desse tipo de gordura.

Na natureza pode-se encontrar gordura trans (assim chamada em função de sua estrutura química diferente das demais) em alimentos de origem animal como carnes e leite, porém, nesses alimentos, sua quantidade é quase desprezível.

A indústria desenvolveu, e utiliza em larga escala, o processo de hidrogenação de óleos vegetais que produz a gordura trans e que faz parte da maioria dos alimentos que são diariamente consumidos como doces, bolos, biscoitos, tortas, sorvetes, batatas fritas, salgadinhos, margarinas, coberturas e base de sopas. Seu uso barateia o custo, melhora o sabor e a consistência dos alimentos, além de prolongar o prazo de validade de alguns alimentos nas prateleiras.

É importante assinalar que são as gorduras que conferem aroma e sabor aos alimentos, de modo que é fácil entender que o seu uso, mesmo que exagerado, faz com que, à vista do leigo (e do guloso...) o alimento industrializado seja considerado de boa qualidade, porque o paladar se gratifica com o seu consumo.

No entanto, de algum tempo para cá, estudos internacionais tem evidenciado que a gordura trans pode elevar a concentração plasmática do colesterol LDL (colesterol ruim) e diminuir a do colesterol HDL (colesterol bom). Nesse sentido a conseqüência de seu uso exagerado é tão prejudicial quanto o uso de gorduras saturadas, aquelas gorduras sólidas que estão presentes nos alimentos de origem animal e que a população mais informada já aprendeu a evitar como o excesso de manteiga, a pele do frango ou a gordura em volta da picanha. Para piorar ainda mais o quadro deve-se assinalar que a gordura trans aumenta o número de partículas de colesterol de menor tamanho, o LDL-c, que por sua facilidade em se fixar na camada interna dos vasos, aumenta o risco de desenvolver o processo aterosclerótico, início de todas as complicações futuras que podem levar ao infarto do coração, derrames e demais problemas dessas que são chamadas doenças degenerativas.

Assim, mundialmente, a Academia Americana de Cardiologia (AHA), a Academia Americana de Nutricionista (ADA), a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Nutrição, recomendam que o consumo diário de gordura trans seja limitado a, no máximo, 1% das calorias totais provenientes de todas as gorduras ingeridas.

No Brasil, a ANVISA obriga que a quantidade de gordura trans nos alimentos industrializados esteja descrita no rótulo, em gramas. Quantidades menores que 1% não necessitam ser relatadas nos rótulos. Segundo resolução da ANVISA RDC nº 360, de 23 de dezembro de 2003 (D.O.U de 26/12/2003),  valores de gordura trans abaixo de 0,2 g não precisam ser  descritos. A partir de 2008, não se exige mais que os fabricantes grafem gordura vegetal hidrogenada por extenso nas embalagens, permitindo que ela seja indicada apenas como gordura vegetal.

A importância do controle da ingestão da gordura trans fica evidente com um simples raciocínio, que mostra o quanto um indivíduo que consome vários alimentos que contenham gordura trans, mesmo em pequenas quantidades por alimento, pode ultrapassar a quantidade recomendada diária, aumentando seu risco de doenças cardiovasculares.  Por exemplo, uma criança com quatro anos tem necessidade energética total de 1800Kcal por dia, das quais 30% devem ser obtidas por meio de gordura (540Kcal). Se considerarmos 1% desse total como gordura trans chegaremos a 5,4 Kcal, o que corresponde a 0,6g de gordura trans por dia.  Para um adulto, que necessita de 3000 Kcal por dia, dos quais 30% serão provenientes de gordura, ou seja, 900 Kcal/dia, o 1% de gordura trans corresponde a 9 kcal/dia.Como 1 grama de gordura fornece 9 kcal o máximo que poderá ser ingerido em gordura trans corresponderá a 1 g/dia.Ora,  segundo os rótulos, biscoitos recheados, em  duas unidades ( 30g),  possuem 1,5 g de gordura trans  ou seja, duas vezes e meia o que deve ser ingerido por uma criança e uma vez e meia o que deve ser ingerido por uma adulto. É em função desse conhecimento que a conscientização mundial já é grande, quanto à necessidade de controle do consumo de gorduras, especialmente a trans, ainda mais nesse momento em que a Organização Mundial de Saúde define a obesidade como a maior epidemia do mundo, em termos de saúde pública. Por isso, indústrias alimentícias internacionais como Frito-Lays e a rede americana McDonalds iniciaram um movimento, há quase cinco anos, em alguns países desenvolvidos, onde a conscientização é maior, tentando-se adaptar às novas recomendações de hábitos alimentares saudáveis. Não por outro motivo os restaurantes de Nova York fizeram um pacto no sentido de abolir a gordura trans das refeições oferecidas  a partir de julho de 2008.

Deste modo, os especialistas do mundo sugerem a restrição quase absoluta da gordura trans nos alimentos industrializados, mantendo o seu consumo apenas para os alimentos naturais como carne, leite e derivados.

Esperamos que a indústria de alimentos aqui estabelecida se conscientize do problema, se modernize acompanhando o mundo desenvolvido, se preocupe com a saúde do consumidor e não faça ameaças deselegantes, como a de trocar as gorduras utilizadas por banha de porco.

 

 
 
Comentários a respeito do tema
De:Rachel Sano 04-07-2009
Acabo de conhecer esse interessante site e tenho uma duvida: o que é gordura vegetal esterificada ??? Ela é tao prejudicial como a hidrogenada? Notei que os rotulos de muitos alimentos, como margarinas, biscoitos, etc, retirou o "hidrogenada" e passou a "esterificada" mas nao encontro mais informacoes a respeito. Muito obrigada! Rachel
De:Daniele Gomes de Lyra 02-11-2008
"A partir de 2008, não se exige mais que os fabricantes grafem gordura vegetal hidrogenada por extenso nas embalagens, permitindo que ela seja indicada apenas como gordura vegetal." qual legislação regulamenta isso??? gostaria de ter acesso a essa portaria/lei/decreto... Grata
Nutrociência 2007-2010 todos os direitos reservados - (11) 5575.3875 - desenvolvido por Digital Dream