Vocês já perceberam como as crianças de hoje pressionam os pais para comprar esse ou aquele produto ou marca de sua preferência? Que suas teimosias, birras, explosões de ira, são cada vez mais freqüentes, querendo impor suas vontades a qualquer preço?
Depois de segmentar o mercado em sofisticadas categorias que identificam desde o estilo de vida até os hábitos de consumo mais particulares, a bola da vez do marketing e, em conseqüência, da propaganda, é o público infantil – crianças até doze anos de idade. Um movimento claro está sendo feito nesse sentido e já se fazem pesquisas mais profundas e análises mais acuradas sobre o poder de compra das crianças e também sobre a influência na decisão de compra dos adultos. Todo este cenário resulta em um estímulo para o consumo em excesso (de brinquedos, roupas, comida...) atualmente praticado por muitos pequenos.
Não mais nem menos importante, mas de extrema relevância para a saúde, são preocupantes as propagandas de alimentos e bebidas dirigidas às crianças. No Brasil, atualmente, estas campanhas passam com maior freqüência das 14h30 às 18h30, horários que as crianças estão mais em casa. Isso não é a toa, afinal, a indústria sabe que o pequenos consumidores são mais vulneráveis aos apelos emocionais e bastante representativos na decisão de compra da família.
E quando se trata de alimentação infantil, a sociedade deve realmente se preocupar. Doenças que anteriormente era “coisa de adulto” agora não escolhem mais idade. Obesidade, diabetes, dislipidemias... Um grande exemplo, de conhecimento de todos, sobre propagandas destinadas ao público infantil que apela para a vulnerabilidade das crianças e peca pela falta de ética é a vinculação de personagens de infantis a alimentos. E neste assunto, as empresas de fast food saem ganhando. Eles sabem exatamente qual é o herói preferido de seus filhos e qual desenho animado eles gostam mais. É só levar seu filho ao cinema e pronto! Na saída existe alguma loja deste tipo que oferece de brinde, com o seu kit lanche, aquele personagem que seu filho mais adora. Às vezes, o desejo pelo objeto é tamanho, que as crianças comem exageradamente apenas porque querem obter a coleção completa dos tais brinquedos.
Agora vamos aos dados alarmantes: dentro dos limites da recomendação diária, as combinações destes kit lanches, que contém cheeseburguer, batata frita e refrigerante, podem corresponder a 87,5% do total de gordura saturada que uma crianças necessita, mais de 100% de sódio e 2,3g de gordura trans (para estas, não existem quantidades mínimas ou máximas recomendáveis). O ideal seria que esses alimentos disponíveis nas redes de fast food fossem ingeridos o mais raramente possível, pois se sabe como é difícil para muitos pais evitá-los completamente.
A boa notícia é que, depois de anos de espera, parece que o Estado resolveu assumir seu papel e está, em alguma medida, tentando regulamentar a publicidade dirigida às crianças. Após tramitar por sete anos, o Projeto de Lei número 5921/2001, que restringe a publicidade voltada às crianças, foi aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor. Este projeto veta a veiculação de qualquer peça publicitária para o público infantil entre 7 e 21h. Restrições semelhantes já existem em alguns países, como Grécia e Reino Unido. Por enquanto, ainda ficamos no aguardo, pois o próximo passo é o projeto ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça.