Programação Hormonal do Aleitamento Materno
A Nutrição e o crescimento infantil são questões emergentes devido à sua potencial ligação com desordens metabólicas na vida adulta. Além disso, a amamentação prolongada parece ser um fator associado a um menor risco do desenvolvimento da obesidade do que as fórmulas infantis.
O leite humano é um alimento fonte de diversos hormônios e fatores de crescimento, denominados adipocinas (leptina e adiponectina), grelina, resistina e obestatina, os quais estão envolvidos na regulação do consumo alimentar e do balanço energético. Estes compostos não são encontrados em fórmulas lácteas comerciais ou, pelo menos, a sua presença é ainda controversa.
Diferenças relacionadas à dieta durante a infância nos níveis séricos de fatores envolvidos no metabolismo energético poderiam explicar as diferenças antropométricas e também diferenças nos hábitos alimentares encontrada entre os indivíduos que receberam o leite materno e crianças alimentadas com fórmulas anos mais tarde na vida.
Neste contexto, a recente descoberta de níveis mais altos de leptina e menores níveis de grelina nas crianças amamentadas ao peito do que em crianças alimentadas com fórmula sugere que as diferenças nos valores hormonais em conjunto com a diferença na ingestão protéica poderiam explicar as diferenças de crescimento entre o aleitamento materno e crianças alimentadas com fórmulas, tanto durante a infância, quanto anos mais tarde.
Em um trabalho de revisão recente, foram analisados justamente questões como esta. E desta maneira, conclui-se que o aleitamento materno poderia exercer efeitos tanto a curto como a longo prazo na programação metabólica do crescimento e do desenvolvimento.
Inquéritos epidemiológicos indicam que a amamentação protege contra a obesidade na vida adulta, embora ainda a magnitude desta associação não seja conhecida.
Waterland & Garza propuseram alguns potenciais mecanismos através dos quais o fenômeno desta associação entre aleitamento e obesidade poderia ocorrer, entre eles a indução de variações na estrutura de determinados órgãos, alterações no número de células e diferenciação metabólica. O aleitamento materno representa uma das experiências nutricionais mais precoces do recém-nascido, dando continuidade à nutrição iniciada na vida intra-uterina. Vários fatores bioativos estão presentes no leite humano, entre eles hormônios e fatores de crescimento, que vão atuar sobre o crescimento, diferenciação e maturação funcional de órgãos específicos, afetando vários aspectos do desenvolvimento. A composição única do leite materno poderia, portanto, estar implicada no processo de proteção, alterando, por exemplo, o número e/ou tamanho dos adipócitos ou induzindo o fenômeno de diferenciação metabólica.
Contudo, apesar da hipótese que o aleitamento materno teria um efeito protetor contra a obesidade apresentar evidências epidemiológicas ao seu favor, assim como uma plausibilidade biológica, os resultados dos diversos estudos são contraditórios. A existência de resultados assim poderia decorrer de diferenças entre os estudos quanto ao tamanho da amostra, delineamento e controle de variáveis de confusão. Se confirmada, teremos mais uma arma na prevenção da obesidade e mais uma vantagem atribuída ao aleitamento materno.
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