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Seletividade alimentar: minha história traz alento e lições às famílias

Pediatra e nutrólogo compartilha sua vivência com a restrição de alimentos, processo superado com o avançar da idade e novas experiências de vida


Por Mauro Fisberg*

Atualizado em 9 Maio 2024, 18h30 - Publicado em 15 dez 2023, 09h59


Crédito: istockphoto

Todos os meus amigos e alunos sabem que fui um grande seletivo, para desespero de minha mãe. Quando criança, preferia sempre bife, ovo e batata frita. Se tivesse fruta cortada, tinha de ser melada. Se fosse em suco, tinha de ser azeda.


Sou um hipersensorial: odeio sons altos (exceto quando são grandes orquestras ou a torcida do meu time) e não tolero pisar em algumas superfícies se estou descalço. Meus companheiros de trabalho e minha esposa acham que, de alguma forma, faço parte do espectro autista. Com muito orgulho e preservando minhas características pessoais.


O tempo, no entanto, foi passando e aprendi a comer. Viajo muito e experimento praticamente tudo (só não consegui comer anêmona-do-mar). Como de buchada a quiabo, e não nego ostras e caviar. E me delicio com arroz, feijão e carne de panela de qualquer boteco de esquina.


Portanto, quase todos os seletivos, e também os portadores de Transtorno de Restrição e Evitação Alimentar (TARE), podem modificar seus hábitos alimentares por ação de processos culturais, ambientais e sociais.


Eu me lembro do caso de um familiar que só comia lombo e batata feita pela mãe, pizza branca (sem molho de tomate) e fast-food. Lógico que tudo isso cobra um preço no peso e no metabolismo. Um dia, ele foi chamado a trabalho a um país asiático e, em um almoço com seu chefe local, teve de comer peixe cru, temaki e companhia. Seria uma desonra ou uma desfeita não experimentar. Grande dúvida: perder o trabalho ou provar algo que seria inimaginável? Lógico que ele comeu.


Não estou falando apenas porque eu mudei. Mas porque essa condição aparece em inúmeros lares e trabalhos na literatura científica. E porque pode acontecer o oposto, e o seletivo intenso manter sua seletividade na vida adulta. Em aula, eu falo que eles seguem assim até encontrarem um parceiro parecido e viverem seletivos para sempre.


Bom, talvez isto acalme alguns pais, mesmo que eles sofram com a alteração social intensa que seus filhos apresentam, com dificuldades nos passeios, na escola, na casa de amigos e parentes, todos desesperados para que a criança coma o que é oferecido. Minha solidariedade com esses pais, mas também com essas crianças eternamente pressionadas, não raro vítimas de um assédio, ainda que bem intencionado, contínuo.


Muitos pais não sossegam enquanto a alimentação não se normaliza. Mas, cabe questionar, o que é uma alimentação normal?


Ora, isso me remete diretamente ao meu filho. Acho que, por ser uma pessoa mais fechada à divulgação nas redes sociais, ele não gostará tanto dessa pequena exposição de sua vida pessoal. Mas ele sempre foi um case para as minhas aulas e muita gente sabe que foi um seletivo importante no início da infância. Até comia bem saladas e frutas – bem como os alimentos básicos – desde que não se misturassem. Mas não tomava leite. Gostava mesmo de achocolatados sempre da mesma marca.


Ele era um expert no sabor desses produtos e, em uma ocasião, em que eu testava um achocolatado de leite de cabra, cheguei a apresentá-lo a seis concorrentes de marcas diferentes, em embalagens sem rótulo. E não é que ele conseguiu colocar em ordem de preferência, do produto que idolatrava ao novo item feito de leite de cabra?


Hoje, meu filho é um seletivo gourmet, cozinha bem e virou especialista em alimentos, temperos e bebidas. Seletivo do que é gostoso, escolhe apenas o que é bom, e come de tudo (ou quase tudo, porque nós seletivos temos de ter nossas diferenças).


Portanto, mesmo que seu filho coma mal – Meu Filho Come Mal é justamente o título de nosso livro feito em parceria com o Instituto PENSI -, tenha calma e paciência, converse com pediatras, nutricionistas e outros profissionais… E acredite: sua experiencia pessoal também se reflete no comportamento de seus filhos.


Toda a criança seletiva tem um familiar que também teve problemas com a comida, com experiências ruins eventualmente rodeadas de genitores e responsáveis ansiosos e apreensivos com a situação. Não sabemos ainda se é uma tendência genética, mas acreditamos em uma herança seletivogênica, isto é, que dá origem à seletividade.


Que a minha história dê alento a esses pais tão desesperados para que seus filhos comam bem.


* Mauro Fisberg é pediatra e nutrólogo, coordenador do CENDA – Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi/ Sabará Hospital Infantil e professor da Universidade Fede...


40 comentários


Subhash Prajapat
Subhash Prajapat
30 de dez. de 2025

Esse tipo de relato é muito importante, porque acolhe famílias que passam pelos mesmos desafios e mostra que há caminhos possíveis, com paciência e compreensão. Histórias reais trazem conforto e aprendizado, especialmente quando compartilhadas de forma honesta. Muitas dessas experiências também circulam em vídeos curtos e depoimentos, e ter uma opção simples de snapchat video download pode ajudar a guardar conteúdos que trazem apoio e inspiração para rever quando for preciso.

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Subhash Prajapat
Subhash Prajapat
27 de dez. de 2025

This story is genuinely moving and thoughtfully written. Selective eating is often misunderstood, and sharing a personal journey like this brings real comfort to families who may feel isolated or judged. I appreciate how it focuses not just on the challenges, but also on patience, empathy, and small wins—those lessons can make a huge difference for parents and caregivers navigating similar paths.

When collecting supportive resources or short awareness videos to share with families, I sometimes save helpful clips for later using a Pinterest video download tool. It’s a simple way to keep encouraging, educational content accessible offline when it’s needed most.

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Getin Topc
Getin Topc
10 de dez. de 2025

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Aryann Khan
Aryann Khan
01 de dez. de 2025

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